O Jovem Guerreiro E O Ancião



O Jovem Guerreiro E O Ancião.
     Há uma antiga lenda em que um jovem guerreiro após muitas aventuras de sucesso sentiu-se encorajado a enfrentar um antigo desafio que era passado de geração em geração entre os anciões de sua tribo, vagar pelas inóspitas e selvagens Terras Altas. Poucos conheciam o que realmente era entrar nestas terras estranhas e cheias de perigo, contudo, havia um velho e antigo índio na tribo que carregava a fama de ter sido um dos poucos ou o único que era conhecido em toda a região a que sobrevivera a esta viagem.
     Então, cheio de entusiasmo e com uma juventude vigorosa e pulsante, deslocou-se até este velho e foi atrás de orientações para que melhor preparo obtivesse, e assim, além de ir, pudesse voltar vaidosamente com vida para desfrutar da grande fama e status que desejava obter junto ao seu povo.
     O velho índio pouco falava e a princípio não lhe dera muita atenção, mas o jovem era impetuoso e dia a dia o visitava com a intenção de ganhar a sua confiança, e assim como planejara, assim mesmo se sucedeu. A história de sua aventura era longa e cheia de caprichosos detalhes; sofrera apenas nesta jornada o que poderia ter passado por mais de uma vida. Ele relatou ao jovem, pouco a pouco tanto a direção quanto à distância, também como os pontos de apoio e descanso, como também, os locais de perigo. Dia a dia relatava uma e outra aventura, situações de vitórias e lugares de tristezas, e a medida que falava, mostrava uma ou outra cicatriz, vários objetos e uma ou outra palavra ou descrição estranha que não lhe era conhecido nestas partes da terra em que vivia. Uma verdadeira lição de vida, ora narrada com alegria em lembrar-se dos momentos de glória e bravuras e ora relatava com tristezas as perdas e o medo que ainda era capaz de sentir pelas firmes marcas da lembrança.
     O jovem já estava impaciente e já decidido a seguir em frente e crendo estar aparelhado de tudo e do melhor, seja de mantimentos, montaria e ou armas, foi ao velho se despedir e dar-lhe as honras por tão importante participação em sua jovem vida. Decidira dar a aquele homem experiente e corajoso nada menos do que seu famoso colar, neste mesmo que pendurava uma presa retirada de um grande e temido animal e predador da região, fruto de suas mais diversas caçadas de sucesso, aquilo era o símbolo de sua história e sua prova material de força e coragem, mas agora, ele estava pronto para algo muito maior e este seria seu presente de agradecimento ao velho. Após entregar-lhe aquele símbolo de gratidão e respeito e se dirigir em agradecimentos, disse que na vida, deveriam existir mais pessoas como ele, experientes e interessadas e também dispostas a dar instruções e conselhos sábios para jovens como ele chegar a realizar os seus maiores sonhos, qual foi então a sua surpresa ao ouvir as últimas palavras de conselhos do velho índio:
     Meu bom jovem, sinto-me grandemente honrado por tudo que vem de ti, mas nada mais fiz, do que um bom pai faria por seu filho; a diferença de você ouvir a mim, é porque tinha grande interesse em conhecer o que eu vivi, coisa que acontece com todos os jovens, só ouvem o que realmente desejam ouvir. Quanto a esta peça valiosa que me oferece como presente, eu digo, volte agora à sua família, e antes de partir, peça os conselhos finais e mais valiosos de teus pais, são eles que merecem o teu melhor presente, pois desde que nasceu seu pai e tua mãe são quem realmente estão ao teu lado, te aconselhando e te protegendo; mas não tiveste olhos para enxergar e nem ouvidos para ouvir, mas são seus conselhos os mais puros e nobres que um velho coração de pai e de mãe poderia dar-te, assim, certamente te deram o que tinham de melhor e mais precioso. 
     Agora vá, e dê as honras devidas aos teus pais antes de partir, dei-lhe apenas uns poucos conselhos por agora, mas foram eles que bravamente dedicaram uma vida inteira de bons conselhos a você, por isso, muito do que és hoje, em parte, deves a eles.

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